terça-feira, setembro 29, 2009

Em busca do "beatle favorito"



E afinal? O que é rock ‘n’ roll? Os óculos do John ou o olhar do Paul?”, pergunta Humberto Gessinger, cantor e compositor dos Engenheiros do Hawaii, na canção “O papa é pop”. Os versos fazem referência a uma antiga e acirrada disputa que todo fã dos Beatles já se viu obrigado a responder: a preferência por John Lennon ou Paul McCartney.

Mas será que a questão ainda se sustenta quase 40 anos depois do lançamento de "Abbey Road", último registro em estúdio da banda? O G1, canal de notícias on-line da Globo, ouviu artistas e fãs dos Fab Four para saber a resposta ao certame, que, ao que parece não se restringe apenas aos dois “frontmen” do grupo.

“Harrison foi se tornando um compositor cada vez mais rico, poderoso e definitivo dentro da história dos Beatles. Tenho certeza de que, se a banda tivesse continuado, ele teria ocupado o mesmo espaço que John e Paul”, diz o cantor e compositor Zé Ramalho.

Outro fã de Harrison é Fagner. O músico cearense revela que, mesmo sabendo da importância de Paul McCartney e da genialidade de John Lennon, George Harrison sempre foi seu beatle favorito. “Tenho uma identificação e admiração por suas músicas muito grande. Acho uma pena ele ter feito parte do núcleo criativo dos Beatles algemado. Não foi à toa que acabou lançando um disco triplo logo após o fim da banda”, comenta o cantor, referindo-se a “All things must pass”, um dos melhores trabalhos já realizados por um ex-beatle em carreira solo.
A cantora Zélia Duncan também relembra o célebre álbum de Harrison, que contou com as participações do guitarrista Eric Clapton, do tecladista Billy Preston e de outro ex-beatle, Ringo Starr. “Harrison era um cara absolutamente especial. Foi o primeiro disco realmente incrível depois do fim da banda. Isso mostra que talvez fosse o mais pronto para estar sozinho” elogia.

Ringo essencial
Até Ringo, por vezes alvo de comentários desmerecedores, teve uma recente prova de sua força na queda-de-braço com seus ex-companheiros de banda. Apoiado numa tese de que, sem ele, os Beatles teriam cativado uma fama de arrogantes e mal-humorados, o tradicional semanário musical inglês "New Musical Express" publicou um artigo na internet que atribui o posto de “beatle mais importante” ao baterista.
“De fato Ringo é uma peça-chave na história dos Beatles. A bateria tem de estar dentro de um contexto, e ninguém fez isso tão bem quanto ele. É a grande virtude de todo o baterista: não atrapalhar, não sobrepor sua técnica e habilidade à música. Nesse sentido, Ringo dá uma aula para todo mundo”, explica o baterista dos Paralamas do Sucesso, João Barone.
Charles Gavin, que responde pelas baquetas nos Titãs, concorda. “Não consigo enxergar nada que o Ringo tenha tocado que não tenha sido bem pensado e bem executado. Ele dominava a sonoridade do instrumento, atendia às necessidades do arranjo. Além disso, as músicas que cantou na banda são inesquecíveis. Mais do que um baterista, ele era um criador”.

Paul em vantagem nos EUA
Isso tudo significa que Paul e John deixaram de ser os queridinhos dos beatlemaníacos? Não nos Estados Unidos. Uma recente pesquisa do instituto Zogby, que ouviu 4.837 adultos norte-americanos, revelou que, com 30%, McCartney é o beatle preferido da América.Lennon ficou em segundo, com 16% da preferência, seguido por Harrison, com 10%, e Ringo, com 9%.
“Se você fizer um levantamento isento, vai poder constatar que, no século XX, não existe nenhum outro compositor popular que tenha produzido tantas canções assobiáveis quanto Paul McCartney”, diz o jornalista Geneton Moraes Neto, que não esconde sua predileção.
Geneton ainda se arrisca em explicar a fórmula do sucesso que transformou o autor de “Yesterday” e “Lei it be” em um músico tão reverenciado. “Acho que é a conjunção de dois fatores: ausência de pretensão e excesso de talento”, diz o jornalista.
Gavin engrossa o coro. Para ele, Paul não é “apenas” um compositor genial (“como se não fosse o suficiente para uma banda”), mas um músico formidável. "Eu ainda me impressiono como Paul é um baixista inacreditavelmente bom, fazia linhas nada óbvias no instrumento, além de melodias lindas”.
Pelo que se vê, a discussão ainda perdura, já que todos são objeto de culto. E a obra dos Beatles mostra que o sucesso da banda só aconteceu justamente pela junção das características de seus integrantes. Como disse Kurt Cobain, o líder do Nirvana, morto em 1994, ao refletir sobre suas próprias ambições artísticas durante uma entrevista à MTV. "Gostaria de ser adorado como John Lennon, mas, ao mesmo tempo, ter o anonimato de Ringo Starr".

E aí, qual o seu beatle favorito???


Paula Silva

9 comentários:

Danielle Starkey disse...

Eu tinha lido essa matéria na semana passada e fiquei super feliz, pois me sinto cada vez mais orgulhosa de ser Ringomaníaca.
É muito legal quando alguém consegue enxergar as qualidades do Ringo que, pra mim, são inúmeras (na verdade eu não consigo achar defeitos nele).
Ringuinho é a razão da minha existência!

Paula Silva disse...

Pois é, e o Edson me disse na sexta que o Ringo é muito querido lá fora deviso aos filmes que ele atuou...

Danielle disse...

É sim, um dos filmes que ele fez que o pessoal mais gosta (inclusive o Edson) é o Caveman, de 1980. Um dia eu ainda falo desse filme aqui no blog, é demais!!!

Clau disse...

Na real...o 'beatle favorito' é uma busca eterna. É como discutir o sexo dos anjos.

Helena disse...

George ... o favorito dos brasileiros ... que novidade ??

Clarice disse...

Concordo com você Clau, amei o John desde a primeira música que eu ouvi (quando ele iniciaram em 1962/63), porém ninguem consegue pronunciar "Beatles" sem pensar nos 4 queridos juntos, vou amá-los para sempre

Danielle Starkey disse...

Talvez seja meio impossível mesmo dizer definitivamente qual é o "melhor Beatle", visto que cada um deles é peça fundamental nessa história. A questão é que não tem jeito, beatlemaníaco que é beatlemaníaco sempre tem um carinho ou admiração maior por um em especial, seja pelo talento, pela personalidade e até mesmo pela beleza. Afinal, só mesmo os "beatlelados" para analisar cada detalhe de cada Besourinho. Os quatro têm jeitos completamente diferentes um do outro, então com algum deles nós acabamos nos identificando, nos fazendo amá-los incondicionalmente.

Paula Silva disse...

Eu amo o Paul hehehe!!!

Clau disse...

John Lennon era admirável...o cara irreverente, porra loka, aê prá tudo e nem aê prá nada. Em suas canções gritou ódio, amor, saudade, carência,violência,solidaridade, medo, coragem, arrependimento e vários outros sentimentos próprios dos homens. Encontrava na música uma força aterradora. Mesmo assim, ainda é difícil escolher...

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